Você estava apaixonado por alguém e levou um fora. Acontece mais do que acidente de avião, desastre com romeiros e incêndio na floresta. Corações partidos é o grande drama nacional. O que fazer? Ainda não lançaram um manual de auto-ajuda que consiga eliminar nossa fossa, e dos amigos só podemos esperar uma frase, repetida à exaustão: tire esse cara da cabeça. Parece fácil. Mas alguém aí me diga: como é que se tira alguém de um lugar tão cheio de mistérios?
Gostar de alguém é função do coração, mas esquecer, não. É tarefa da nossa cabecinha, que aliás é nossa em termos: tem alguma coisa lá dentro que age por conta própria, sem dar satisfação. Quem dera um esforço de conscientização resolvesse o assunto: não gosto mais dele, não quero mais saber daquele prepotente, desapareça, um, dois e já!
Parece que funcionou. Você sai na rua para testar. Sim, você conseguiu: olhou vitrines, comeu um sorvete e folheou duas revistas sem derramar uma única lágrima. Até que começa a tocar uma música no rádio e desanda a maionese. Você não tirou coisa alguma da cabeça, ele ainda está lá, cantando baixinho pra você.
Táticas. Não ficar em casa relendo cartas e revendo fotos. Descole uma festa e produza-se para matar. Você bem que tenta, mas nada sai como o planejado. Os casais que se beijam ao seu lado são como socos no estômago. Você se sente uma retardada na pista de dança. Um carinha puxa papo com você e tudo o que ele diz é comparado com o que o seu ex diria, com o que o seu ex faria. Chamem o EccoSalva.
Livros. Um ótimo hábito, mas em vez de abstrair, você acha que tudo o que o escritor escreve é para você em particular, tudo tem semelhança com o que você está vivendo, mesmo que você esteja lendo sobre a erupção do Vesúvio que soterrou Pompéia.
Viajar. Quem vai na bagagem? Ele. Você fica olhando a paisagem pela janela do ônibus e só no que pensa é onde ele estará agora, sem notar que ele está ali mesmo, preso na sua mente.
Livrar-se de uma lembrança é um processo lento, impossível de programar. Ninguém consegue tirar alguém da cabeça na hora que quer, e às vezes a única solução é inverter o jogo: em vez de tentar não pensar na pessoa, esgotar a dor. Permitir-se recordar, chorar, ter saudade. Um dia a ferida cicatriza e você, de tão acostumada com ela, acaba por esquecê-la. Com fórceps é que a criatura não sai.
De-coração
sábado, 30 de julho de 2011
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Explosões - Martha Medeiros
"Não tenho nada a ver com explosões”, diz um verso de Sylvia Plath. Eu li como se tivesse sido escrito por mim. Também não faço muito barulho, ainda que seja no silêncio que nos arrebentamos.
Tampouco tenho a ver com o espaço sideral, com galáxias ou mesmo com estrelas. Preciso estar firmemente pousada sobre algo — ou alguém. Abraços me seguram. E eu me agarro. Tenho medo da falta de gravidade: solta demais me perco, não vôo senão em sonhos.
Não tenho nada a ver com o mato, com o meio da selva, com raízes que brotam do chão e me fazem tropeçar, cair com o rosto sobre folhas e gravetos feito uma fugitiva dos contos de fada, a saia rasgando pelo caminho, a sensação de ser perseguida. Não tenho nada a ver com cipós, troncos, ruídos que não sei de onde vêm e o que me dizem. Não me sinto à vontade onde o sol tem dificuldade de entrar. Prefiro praia, campo aberto, horizonte, espaço pra correr em linha reta. Ou para permanecer sem susto.
Não tenho nada a ver com boate, com o som alto impedindo a voz, com a sensualidade comprada em shopping, com o ajuntamento que é pura distância, as horas mortas desgastando o rosto, a falsa alegria dos ausentes de si mesmos.
Não tenho nada a ver com cenas de comerciais de TV, sou um filme sueco, uma comédia britânica, um erro de adaptação, um personagem que esquece a fala, nada possuo de floral ou carnaval, não aprendi a ser festiva, sou apenas fácil.
Não tenho nada a ver com igrejas, rezas e penitências, são raros os padres com firmeza no tom, é sempre uma fragilidade oral, um pedido de desculpas em nome de todos, frases que só parecem ter vogais, nosso sentimento de culpa recolhido como um dízimo. Nada tenho a ver com não gostar de mim. Me aceito impura, me gosto com pecados, e há muito me perdoei.
Não tenho nada a ver com galáxia, mato, boate, a vida dos outros, os comerciais de TV e igrejas. Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto.
domingo, 24 de julho de 2011
' Finais Felizes = Má interpretação'
" As garotas aprendem muito enquanto crescem: - Se um cara 'esmurra' você, ele gosta de você. - Nunca tente cortar sua própria franja. - E algum dia vai conhecer um homem maravilhoso e ter o seu próprio final feliz.
Todos os filmes que vemos e todas as histórias que ouvimos nos imploram para nós esperarmos por ele. A virada no terceiro round, a inesperada declaração de amor, a exceção a regra.
Mas ás vezes estamos tão concentrados em achar nosso final feliz, que não aprendemos a ler os sinais. Como distinguir entre os que nos querem e os que não nos querem? Distinguir entre os que vão ficar e os que vão partir?
E talvez este final não inclua um cara maravilhoso. Talvez dependa de você. Talvez esteja por sua conta. Juntando os pedaços e recomeçando.Se libertando para achar alguma coisa melhor no futuro. Talvez o 'final feliz' seja só seguir em frente.Ou talvez o final seja este: saber que apesar das ligações não retornadas, e todas as magoas, apesar de todos os erros e sinais mal interpretados, apesar de toda dor e constrangimento...Você nunca, NUNCA perdeu a esperança."
Ele não está tão afim de você. - Ken Kwapis
sábado, 23 de julho de 2011
E mesmo assim, para falar a verdade, razão e amor se fazem pouca companhia esses dias.
William Shakespeare
Um sonho de verão
Ato III, cena I
Um sonho de verão
Ato III, cena I
sexta-feira, 22 de julho de 2011
TPM ás 00:15
Não sei o que pensar. Nem sei se pensar é algo que o cérebro faz a essa hora da noite. Sinto saudades de quem ficou, de quem tá longe, de quem não vejo mais. Sinto falta de uns dias atrás, quando ainda restavam muitas esperanças de dias melhores. Alguém que me entenda, que não queria sexo, que me veja além, que me conheça, que me abrace, que me ame...é tudo tão simples na minha mente, porque essa pessoa simplesmente não aparece. não que eu esteja esperando mas... Ah, vou dormir...já nem sei mais o que estou dizendo.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Talvez um diia.
Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim”.
Caio Fernando de Abreu
sexta-feira, 15 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
falta de amor.
Eu perdi muita coisa por causa de um ultimo amor que me levou tudo o que tinha de mais bonito em mim.
Perdi a coragem de amar de novo, perdi o brilho nos olhos, perdi a disponibilidade de confiar de novo em alguém do sexo oposto. Tem quem diga que um desamor não mata, é verdade. Mas faz um estrago gigante!
Não fui sempre assim, esse zumbi.Meu coração nem sempre foi essa sapo viscoso e enrrugado. Eu já amei um dia. Eu já tive sentimentos um dia. Hoje estou fria, estou dura, hoje sou desiludida, cética, incrédula. Hoje nada me comove, nada faz sentido.Hoje estou embrutecida por esses caras ceticos, desiludidos, incredulos que cruzaram meu caminhoo.
Hoje acredito que não basta saber amar...O dia que isso bastar ai sim, é porque estou curada da falta do amor.
Perdi a coragem de amar de novo, perdi o brilho nos olhos, perdi a disponibilidade de confiar de novo em alguém do sexo oposto. Tem quem diga que um desamor não mata, é verdade. Mas faz um estrago gigante!
Não fui sempre assim, esse zumbi.Meu coração nem sempre foi essa sapo viscoso e enrrugado. Eu já amei um dia. Eu já tive sentimentos um dia. Hoje estou fria, estou dura, hoje sou desiludida, cética, incrédula. Hoje nada me comove, nada faz sentido.Hoje estou embrutecida por esses caras ceticos, desiludidos, incredulos que cruzaram meu caminhoo.
Hoje acredito que não basta saber amar...O dia que isso bastar ai sim, é porque estou curada da falta do amor.
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