De-coração

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domingo, 6 de novembro de 2011

DE VOLTA PARA A VIRTUDE

Hoje é domingo, pé-de-cachimbo

   Ás vezes me dá aquela doença que faz a gente questionar sobre a vida, a nossa existência e o que queremos ser e fazer...Já sentiram esses sintomas? Pois é, é uma doença muito perigosa, nos deixa extremamente nostálgicos e demora a partir, ás vezes dura um dia, uma semana, um mês ou a vida toda. E o pior, não existem medidas profiláticas e nem se sabe como se pega ou se é contagiosa...Eu tô me questionando sobre tudo ultimamente.Se vale a pena, se é bom, se é justo, se fulano ainda lembra de mim, e se eu não quiser, e se eu não fizer, e se, e se, e se...Maldito seja essa ''SE'', tá me tirando o sono, a paz, a paciência.
    Domingo me dá essas coisas, fico me questionando sobre a cor do mar, o grão de areia, a cor do céu, enfim...me faz pensar mais na vida, e no passado. Ah, hoje estou tão chata. 
   Talvez questionar sobre o mundo não seja um problema. E se for uma coisa boa, e se for necessário para o aprendizado pessoal do homem, e se...Ah, tá ai o maldito e ''se'' outa vez! É, vou ficar de cama, preciso me curar.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A tarde é bem quente. Cansada, boneca ao lado, menina dormindo.

  Eu contente, eu diferente, eu triste, mas sempre sorridente... 
Eu, uma menina assim...
Gosto de abraçar apertado, sentir alegria inteira, inventar mundos, inventar amores. Acho graça onde não há sentido. Acho lindo o que não é. O simples me faz rir, o complicado me aborrece. O mundo pra mim é grande, não entendo como moro em um planeta que gira sem parar. Verdade seja dita: entender, eu entendo. Mas não faz diferença, o mundo continua rodando, existe a tal gravidade, pelo menos para mim.
O que importa é o que faz os meus olhos brilharem, o coração bater forte, o sorriso saltar da cara. Eu acho que as pessoas são sempre grandes e às vezes pequenas, igual brinquedo Playmobil. Enxergo o mundo sempre lindo e às vezes cinza, mas para isso existem o lápis-de-cor e o amor que a gente aprendeu em casa desde cedo.
Tenho um coração maior do que eu, nunca sei minha altura, tenho o tamanho de um sonho. E o sonho escreve a minha vida que às vezes eu risco, rabisco, embolo e jogo debaixo da cama (pra descansar a alma e dormir sossegada).
Coragem eu tenho um monte. Mas medo eu tenho poucos. Tenho medo de filme de terror, tenho medo das pessoas, tenho medo de mim mesma. Minha bagunça mora aqui dentro, pensamentos entram e saem, nunca sei aonde fui parar. Mas uma coisa eu digo: eu não páro. Perco o rumo, ralo o joelho, bato de frente com a cara na porta: sei aonde quero chegar, mesmo sem saber como. E vou. 
Sempre me pergunto quanto falta, se está perto, com que letra começa, se vai ter fim, se vai dar certo. Sempre pergunto se você está feliz, se eu estou linda, se eu vou ganhar estrelinha, se eu posso levar pra casa, se eu posso te levar pra mim, se o café ficou forte demais. Eu sou assim. Nada de meias-palavras. Já mudei, já aprendi, já fiquei de castigo, já levei ocorrência, já preguei chiclete debaixo da carteira da sala de aula, mas palavra é igual oração: tem que ser inteira senão perde a força.
Sou menina levada, princesa de rua, sou criança crescida com contas para pagar. E mesmo pequena, não deixo de crescer. Trabalho igual gente grande, fico séria, traço metas. Mas quando chega a hora do recreio, aí vou eu... Beijo escondido, faço bico, faço manha, tomo sorvete no pote, choro quando dói, choro quando não dói. E eu amo. Amo igual uma criança. Amo com os olhos vidrados, amo com todas as letras. A-M-O. Amo e invento. Sem restrições. Sem medo. Sem frases cortadas. Sem censura. Sem pudor. Quer me entender? Não precisa. Quer me amar? Me dê um chocolate, um bilhete, um brinde que você ganhou e não gostou, uma mentira saudável, mas bonita pra me fazer sonhar. 
Não importa. O que importa é o lugar, o momento e com quem eu me sinta especial. Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada, um beijo, um abraço, amar e viver !!!


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nosso Pequeno Principe. *______*

Carta ao Pedro Lucas

   Pedro, nasceste mais pequeninho do que o esperado, mas em breve vais ser do tamanho do teu pai, meu Pai, e você já reparou como ele é grande? Grande em todos os sentidos, e isso é a maior sorte para quem acaba de chegar ao mundo. Com duas semanas de vida, ainda não podes abraçá-lo, mas vais ter muito tempo - e motivo - pra isso. 

   Bem-vindo, aqui é o teu lugar. É bastante espaçoso, ainda que as pessoas costumem sair pouco do próprio bairro. Tem muita beleza e muita miséria, e já é bom ir se acostumando com as contradições, porque é o que mais há. Tem gente que nos diz não, mas faz isso para nosso bem, e tem gente que só nos diz sim, mas faz isso mais por preguiça do que por amor. Em alguns dias ensolarados, você se sentirá inesperadamente triste, e alguns temporais vão trazer a você muita esperança. 

  Certas pessoas têm uma aparência decente e altiva, mas são ocos por dentro - e podem até ser maus - enquanto que outros são quietos, discretos, parecem não valer grande coisa e no entanto são os verdadeiros super-heróis, as tais criaturas fascinantes que tanto procuramos pela vida. Como descobrir as diferenças? Não se deixando levar por preconceitos e idéias prontas. Aproveite, Pedro, que nada está pronto, você é que vai escrever sua história, e deste ponto onde você está, a estrada é infinita. 

  Tomara que você goste de futebol, porque a esta altura você já sabe em que família foi se meter. Uma ala é flamenguista fanática e a outra é cearence doente, não queria estar no seu lugar. Mas sempre é possível escapar para o Handebol, que também tem tradição na sua árvore genealógica. 

Mulheres? Você em breve vai conhecê-las nos parques, na escola, e prepare-se, elas não estão para brincadeira. São decididas e autoritárias, mas não se assuste, também sabem ser engraçadas e sedutoras, você vai ter um trabalho danado, mas não vai se queixar nem um minuto. 

Parques, escolas, alimentação, educação... Infelizmente não é assim pra todos, não demora você vai conhecer a palavra que mais envergonha este país: injustiça. Uns podem, outros não podem, e isso gera uma bagunça que é bem mais séria do que um quarto desarrumado. 

Um país desarrumado faz muita gente sofrer, ninguém encontra nada: onde estão os escrúpulos, a dignidade, estará tudo embaixo da cama? Somem, desaparecem, e então começa um jogo de empurra, "foi ele", "não fui eu", "não sei de nada", e a bagunça só aumenta. Digo que desde já você está metido nesta história e pode ajudar, sim. Como? Guardando bem os seus valores. 

Está achando que vai ser chato? Nada, Pedro Lucas. Se você tiver bom humor e uma cabeça aberta, vai curtir música, cinema, livros, viagens, praia, aventuras, internet, sem falar em outros interesses que nem posso prever aqui, já que as coisa evoluem da noite pro dia. Só o que posso adiantar é que vai ser um pouco fácil e um pouco difícil, é assim pra todo mundo. Enquanto você se equilibra de um lado pro outro, nunca se esqueça do mais importante: divirta-se.