De-coração

De-coração

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

As pessoas não se apaixonam muito hoje em dia


 Eu fiz de você meu roteiro e meu esboço pra vida. Vi teus olhares bravos, e teus olhares com uma ponta de esperança; que diga-se de passagem sempre disseram muito mais que tuas palavras. Vi você levantar as sobrancelhas e fazer cara de paisagem quando eu começava a reclamar do meu dia, ou até mesmo da vida. Vi você acordar cedo e sentar na mesa do café, braços cruzados, carinha de preguiça e voz rouca, cabelos bagunçados. Vi sua silhueta ao banho, por de trás da cortina, e não quis lhe chamar, foi bom te ouvir cantarolando musicas antigas. Sempre foi fácil falar da nossa história, dos altos e baixos e das nossas loucuras diárias. Mas uma história não é, e nunca foi feita apenas de altos. A gente nunca teve lá muito em comum, seu sorvete preferido era de morango, e eu odiava morango; embora nos seus lábios eu nem ligasse para o gosto. Suas comidas favoritas não eram as mesmas que as minhas; a não ser uma boa macarronada, essa era de agrado dos dois. Você sempre foi a melhor parte de nós dois, foi os sorrisos, e aquele abraço apertado, meio sem jeito, mas que era interminável; talvez fosse por medo de me deixar escapar, e eu ir embora sem ao menos olhar pra trás. Você sempre teve um jeito meio tudo e meio nada, mas que eu sempre amei decifrar; e diga-se de passagem, você sempre foi uma caixinha de surpresas. Eu com meu jeito meio descompensado, errado, e sem saber lidar com situações simples, mas que com você sempre dava um jeito. Lembro da primeira vez que nos vimos, você com um sorriso tão grande e largo que encheu meu coração de alegria, e de clichês, e quase fez ele sair pela boca. Seu cheiro doce, que deixou saudade presa no meu corpo e na minha roupa. Seus olhares de aprovação que deixaram vontade em mim. Suas mãos pequenas que ficavam certas na minha; e as minhas entre os teus cabelos, o pescoço. Teu beijo com gostinho de quero mais; e eu sem hesitar sempre dava mais um. E você era do tamanho certo, nem alta demais, e nem baixa de mais, e eu sujo como sempre lhe falava ao ouvido o quanto eu te achava gostosa. Talvez a gente ainda more em uma casa bem grande, e viva tudo o que muitos sempre quiseram viver; digo, os sonhos que todos sonham pra si com outra pessoa. Talvez a gente faça aquelas longas viagens e faça amor em cada canto da nossa casa. E com muita sorte meu amor, a gente se encontre por ai, ou talvez alguém lhe encontre por ai e te traga de volta pra mim; pois você se perdeu, e eu não consegui te achar, você foi pra longe e eu perdi você de vista, mesmo correndo atrás. Você sempre foi aquele cheirinho de terra molhada pela manhã, e cheiro de flores na primavera, você sempre foi aquele espreguiçar acompanhado de um sorriso; sorriso que sempre me desconcertou e me deixava sem graça. E você sempre foi aquele nosso quarto azul; apenas porque lembra o céu e o mar. Espero que ache o caminho de volta para casa, chove todo dia sem você, por dentro e por fora, mas se achar algum jeito, volta pra onde começou, e sorri só de tocar no meu nome. Eu estou seguindo, mas devagar, e sempre olhando pra trás, e com muita sorte você siga junto comigo, apenas porque não sei me cuidar sozinho. E sempre que me perguntam de você, eu só consigo sorrir, digo que "Ah… ela teve que ir embora, e os dias dela estão melhores sem mim". Fiz de você meu ultimo texto e meu ultimo poema, e deixo as entrelinhas falarem mais alto que a minha voz.

      
— Junior Araujo - CL69
 
Quero você aqui, no meio das minhas coisas, meus livros, discos, filmes, minhas ideias,manias, suspiros, recortes. Respirando o mesmo ar… Vem e fica.

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