— Sim, você era, você era a pessoa mais inteligente que eu conheci em toda a minha vida.
[...]
Teve vontade de dizer a ele tudo o que pensava e de que se lembrava, mas não conseguiu fazer todas as lembranças e pensamentos, compostos de tantas palavras, expressões e frases, passarem pelas ervas daninhas e pelo lodo sufocante e se transformarem num som audível. Resumiu tudo e investiu todo o seu esforço no que era mais essencial. O resto teria de ficar no lugar intacto, aguentando firme.
— Sinto saudade de mim.
— Também sinto saudade de você, Ali. Muita.
— Nunca planejei ficar assim.
— Eu sei. "
trecho do livro Para sempre Alice,
de Lisa Genova
E eu entendo Alice. Entendo mesmo.Acho que o resto do mundo tem razão, alguma coisa minha se perdeu. E que saudade que eu tive de mim mesma hoje.Dos meus olhos grandes e curiosos. Da minha vontade louca de brigar com o mundo, de discordar daquilo que eu não concordo. Que saudade de não ser submissa, de não ficar esperando. Saudade da minha falta de paciência com os erros alheios.
Senti uma falta tremenda dos meus sonhos, dos meus medos, dos meus amigos. Senti falta de quando tudo se resumia a escola,casa,grupinho de amigos e problemas que na época pareciam do tamanho do mundo, mas que na verdade eram brincadeiras de crianças.
Senti falta de não saber. De não ser tão responsável, tão inteligente. Senti falta de não ter respostas. De não saber ler as pessoas. Senti falta de não ter dom exceto o de acreditar em tudo e em todos.
Ai, que saudade da menina que sonhava em ser uma princesa. E daquela outra que jurava que vampiros existiam.
Saudades de colocar os pés na grama, tomar banho de chuva. Inventar receitas. Cantar alto, pro mundo inteiro ouvir. Saudade de quando eu era atriz, astronauta, power ranger rosa, professora,médica, advogada, cantora e apresentadora. Saudade de quando eu visitei a africa, Oceania, Estados Unidos, Russia, Japão, sem nem mesmo sair de casa.
Saudades daquele tal principe encantado que eu vivia lendo nas historinhas da Disney. Eu conhecia ele tão bem, que ás vezes eu acreditava mesmo que esbarraria nele a qualquer hora.
Saudades das minhas Barbies,dos meus amigos imaginários... Saudades também de quando eu já era mais crescidinha e sonhava e acreditava e lutava...
Adoraria tomar um suco com meu velho eu. Adoraria buscar aquela velha Amanda de três anos atras. Nossa, ela era formidável. Uma companhia maravilhosa. Doce, divertida, inteligente,sonhadora,medrosa ás vezes, mas sabia a medida certa de cada detalhe.
Adoraria saber por onde ela anda.
Hoje eu acordei, me sentindo com 130 anos. Cansada, nostálgica, sem forças, com fome de vida, de alma, de mim.

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