De-coração

De-coração

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

"Quando tudo que eu queria era estar com ele, ele só me dá motivo pra estar com outro."

"Ninguém acredita na gente: nenhum cartomante, nenhum pai-de-santo, nenhuma terapeuta, nenhum parente, nenhum amigo, nenhum e-mail, nenhuma mensagem de texto, nenhum rastro, nenhuma reza, nenhuma fofoca e, principalmente (ou infelizmente): nem você. Mas eu te amo também do jeito mais óbvio de todos: eu te amo burra. Estúpida. Cega. E eu acredito na gente.     

Tati Bernardiganhar dinheiro no face

                 

  Tá vendo aquela porta alí amor? Fica olhando, porque eu vou sair por ela hoje e não vou entrar. Nem agora, nem daqui a uma hora, nem semana que vem.
  E você? Você vai ficar aí, olhando eu sair por ela. Sem perceber, sem entender que a única mulher que te amou de verdade. A única que poderia te completar. A única que poderia fazer você feliz. Ela está indo embora da sua vida.
  Por favor, não me entenda mal, te dei muitos avisos. Nunca tive coragem pra ir de verdade. Mas agora, cansei. De passar as noites em claro. Tô desgastada, chateada, magoada, mas viva ainda. E percebi que se eu quisesse continuar assim, alguém precisava morrer. Eu não podia deixar que esse alguém fosse eu. Então eu te matei. Te joguei da ponte mais alta, que era pra não correr o risco de ter seu defunto na sala de jantar outra vez. Junto com seu corpo joguei uma caixa com todas as nossas recordações. Tinha tanta coisa. Achei que não caberia ali. Fiquei observando os três afundarem. Você, nossas lembranças e o nosso amor. O terceiro demorou, vi ele se debater, ficar sem folego, subir três vezes até a superficie, gritar por ajuda. Fiquei com pena, quase fui lá resgata-lo. Mas nessa hora a dor segurou na minha mão, e me disse: ''Nem pense nisso!'' Achei engraçado. Eles sempre foram tão unidos. Esses dois, a dor e o amor que eu sinto por você.
  Mas enfim, lá se foi... rio abaixo. Seu corpo, seu calor, nossas fotos,meu diário, as músicas, as promessas. Tudo que um dia eu jurei ser eterno. Mas é como dizem. Ás vezes o eterno dura só alguns segundos.
 Vou ficar por aqui. Minha casa, minha família, meus amigos, minha vida. Os sentimentos? Esses eu deixei naquela caixa. Não quero por mais ninguem o que eu guardei só pra você por tanto tempo. - Ah, restou um, que encontrei agora, no final da segunda linha... ESPERANÇA!
  Tentei matar essa também... mas é a última que morre. Sobreviveu ao rio, a queda, a dor, ás aguas, á sua indiferença, a distância, a tristeza... Continua aí, viva e inteira. Vai entender não é?
 Tá bom, já falei demais.
 Tchau. Fecha o portão e esconde a chave tá bom? Não quero correr o risco de você abrir a porta de novo, caso a ESPERANÇA me convença de alguma coisa.

   Amanda Teixeira



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